sexta-feira, 16 de dezembro de 2011





Esperança
Depois de anos retorno ao Blog.
Com uma indagação:
O amor pode crescer dentro de uma redoma?
Embora saiba que além dos sentimentos existem as perdições e más interpretações das palavras. As palavras possuem sentidos variados, amplos, e também errôneos ou equivocados. O amor pode não conseguir nascer com dois seres presos numa redoma, mas a paixão pode explodir sim!
Recordo do Pequeno Príncipe, aquele ser sensível teve que sair pelo mundo fugindo de uma rosa que toda noite dengosa precisava dormir dentro de uma redoma, por cauda do vento, por causa dos bichos, por causa dos seus medos...
Mas o Pequeno também tinha medos: como uma rosa poderia dominar um coração que já havia se acostumado a viver solitário? Apenas reflexivos nos momentos de tristeza, sendo acolhido pelos pores-do-sol?
Não sei o que me abala, meu príncipe está preso na redoma e eu saí pelo mundo para perceber que existem outras rosas (ou seriam lírios?). Tenho visto muita gente... Escutado muitas coisas, andado na areia da praia, mas uma raposa me contou “que foi o tempo que eu perdi com meu lírio que fez meu lírio tão importante...
Eu tenho um coração que está dentro de uma ervilha...
Eu tenho borboletas batendo suas asas dentro do meu estômago...
Eu tenho me esforçado para seguir vivendo e esperando para cumprir seis desejos independentes das expectativas...
Eu tenho uma alma de passarinho...
Eu sou chamada por um lírio que eu adoro de moça-do-encanto-verde...
E quanto ele me chama de moça-do-encanto-verde eu me sinto muito forte e me sinto uma esperança... quando eu era pequena toda vez que uma esperança aparecia eu sabia que uma coisa muito boa ia acontecer... felicidade!!!
Dé: ter esperança é ter felicidade?


Uma Esperança
Clarice Linspector

Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
- Ela quase não tem corpo, queixei-me.
- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
- Ela é burrinha, comentou o menino.
- Sei disso, respondi um pouco trágica.
- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
- Sei, é assim mesmo.
- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
- Sei, continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar - estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros - falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.

terça-feira, 21 de julho de 2009

é porque o tempo passa e ainda assim continuamos sóbrios nestes mecanimos estranhos que são as coisas...
Vou comprar cerveja, levo os cascos, eles caem de mãos pequeninas... reflito com meus neurônios e grito: não dêem risadas não!!! Mãos pequenas não suportam tantas coisas!!! Se sou avessa as controvérsias sigo vivendo dando sorrisos e interpretando personagens que nem bem sei para quê!!!!
Amor me salva desses (des) caminhos????
Sim! Ele diz abraçando-me e reconhecendo a mulher que ele possue.
Amor quem sou eu?????
Ele me diz abrindo os dentes e cantando!!!
"Olha, será que é uma estrela..."""
Plis!!!! Me contento em perseguir as estradas que nem mesma saberia antes da outrora cantar... e ele cumplice da personagem que ele criou cai na balela de cantar Beatriz...
Sigo... Signos... Ódio mortal...
Quem é você meu amigo????
Segue sua estrada, os caminhos que me levam são outros...
Paralelo ao (s) teu (s)...
atravesso um novelo de lã, uma linha negra que quase não tem fim... escrevo minha vida num teclado velho onde tenho que escrever palavra por palavra num contratempo para que não perca os compassos da letra e da cordenação motora... detalhes, apertos, teclas sem querer que me digam algo!
Pausa... vamos ler... OK (o windows live bar não dar supore...) Ok...
Quem nós dá suporte nesse mundo atual?????
Sigo minha escrita bizarra...
Fumo um cigarro de menta... bebo um vinho e tento prosseguir nessa escrita tosca )culpa de um teclato fudido que me acompanha)...
Só preciso disso! Algo que me acompanhe... mesmo um teclado tosco e deprimente... além de vírgulas, cigarros de menta e vinho com coca cola... amigos de uma noite solitária, vozes do andar de cima e um coração repleto de amor e vícios recentes... Se não fechei as aspas e os colchetes é fruto de várias noites sem dormir... E erros gramaticais... E de uma mania de visuar blog!!! Ai masnia de escrever sem pensar e corrigir!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Madrugada

Assim sou... nem me percebo. Apenas sou! Procuro um programa que me conserte, pelo menos que minhas palavras se façam verdadeiras e menos infame, word talvez. Porém sei que nem um programa de computador possuo mais, eles nos perseguem, nos corrói a alma. E ainda assim continuo sobrevivente, com um teclado estragado, com minha alma de criança e minhas borboletas estranhas...

Ah? Sou quem sou... menina das madrugadas, olheiras sendo formadas, canções projetadas, homens perseguidos e me perseguindo como bichos estranhos. Não sei de ti, nem de quem está atrás. Sou quem sou e me faço aranha. Flor. Mulher!

Amanhã mais um dia que se faz claro, ainda que meu maior objetivo fosse dormir até tarde, mas amanheço e quero ser forte, mais do que pareça ser... mesmo não sendo tanto!

Ouço canções, escrevo versos, textos etranhos onde eu mesma me desconheço... e sou e vou seguindo as estradas, as coisas, os movimentos das coisas. Você está aqui compondo versos para mim, eu me pergunto se sou mesmo essa personagem que pode ser tão bem descrita por outro. Eu...

Volto para minhas músicas e suas palavras doces...

Doce?

O que é doce nesses instantes de perdição além das minhas próprias dores internas???

Eu sou meu próprio doce e ainda assim tomei nojo do açúcar!!!! Asco de algo que me remete a uma flor murcha... ressecada pelo tempo e vívida apenas em minha própria mémoria de artista solitária.

Perdão meu bem, perdão!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Na sala me vejo nesta penumbra,
Esvaziada como um copo sujo de vinho,
Embriaga por esse vento negro.
Esta fumaça que antes me matava e que agora se faz cada vez mais presente,
E eu que vou seguindo,
Com minha insônia, amiga?
Sufocada pelo cigarro nesta sala rodeada de seres estranhos...
Os pensamentos rondando-me feito diabinhos!
E eu que sigo minha jornada sabendo que cada segundo a mais é um segundo a menos de sono.
E eu com minha recentes olheiras...
Que já não quero mais me perder na devassa tentação de ainda querê-lo.
E você na tentativa alucinada de continuar me cercando...
E eu que já não tenho mais idade de me perder de mim mesma.
Vou fumando, bebendo e seguindo...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Antes mesmo de escrever salvou a folha em branco... estou ficando um pouco desacreditada das coisas. Claro que sei que isso é uma fase curta pois daqui a pouco uma borboleta pousa em minhas costas e lá se foi qualquer teoria absurda que esteja falando ou fazendo sobre algo. O que importa mesmo são as coisas que carrego no meu coração desde pequena, que herdei de minha mãe, que por sua vez herdou de minha avó e assim por diante...

Estou estranha normalmente não costumo refletir sobre o que estou escrevendo... vou seguindo o fluxo, deslizando sobre as palavras, me afogando num mar de idéias que quando menos percebo já estou no momento conclusivo do tal escrito.

Aqui não, estou perdida, diria: no mato sem cachorro! Nem sei para que lado estou indo e muito menos do que quero gritar sobre as folha de papel branca do word.

Penso em estradas compridas, em mãos abandonadas, em vozes esquecidas, num passado remoto, em cadernos de diários guardados em gavetas, num sorriso de menino triste, numa cadela fiel, numa casinha pequenina, em mangueiras no fundo do quintal, em mangas maduras quase que douradas, em anjos pequeninos, em estórias assustadoras, em vozes estranhas... numa mulher forte beijando minha face.

Eu não sei porque escrevo, antes me achava talentosa, hoje uma fraude...

Ana karenina se lançou embaixo do trem por não compreender direito o que se passava em seu coração, na sociedade em geral e também porque somos sim responsáveis por nossos atos e os atos falam por si só!

Queria esquecer esse negócio de escrever, talento é para poucos, deveria me contentar em fazer algo em que fosse melhor aproveitada, fotografar casamentos, bichos, plantas... me trancar num escritório e morrer de tuberculose, vender avon...

Ah! Sei lá o que deveria fazer para doar um pouco dessa necessidade de passar o tempo para não pensar em você... na verdade deveria gritar bem alto pela rua: você é um idiota e gostaria de entender porque os idiotas me irritam tanto.

Bosta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Vamos fazer de conta que nada passou,
Que lá fora está uma nuvem quase chuvosa,
Que seu coração bate serenamente sobre um travesseiro de plumas ao lado de um corpo branco sem marquinhas...
Vamos fazer de conta que eu sou uma borboleta que pode desaparecer do universo em menos de um dia,
Que você até poderia ser o casulo, mas que também pode ser o firmamento,
Vamos fazer de conta que eu escuto o que seus lábios querem verdadeiramente dizer, sem plágios, sem revolta, sem jogo e nem fúria.
Fazer de conta que eu não sou essa mulher medrosa, com medo da vida, dos homens, de perder novamente quem ama...
Vamos fazer de conta, que contamos tudo um para o outro.

Que aceito ser mãe também... mesmo cambaleante,
Fazer de conta que você escuta o que queres ouvir de mim,
Vamos fazer e contar,
Porque é tudo muito efêmero
E podemos fazer de conta que nada aconteceu,
E um novo começo colorir nossas almas afoitas e aflitas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Eu poderia mergulhar mais fundo...
Descer ainda que ultrapasse o asfalto mais duro...
Mergulhar dentro de um furacão,
Poderia sem pestanejar encarar seu rosto cínico, e o cinismo é algo que me irrita profundamente... embora saiba que o cinismo é apenas uma máscara para esconder o cachorrinho medroso que vive em você.

Eu caminho pela estrada sem nenhum argumento além da certeza que encontrarei uma outra estrada e mais outra e outra mais além
Eu só caminho...
Eu caminho...
Se não olho para os lados é porque eu mesma sou o caminho.
Sigo assim com meus olhos de ressaca...
Olhos oblíquos de cigana dissimulada!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Enfim, sós!

Quero dançar comigo mesma,
Quero me abraçar tanto até me sufocar de paixão,
Vou encher-me de beijos molhados, dos pés até a cabeça.
Já não preciso de tempo para me conhecer, percebi que quero a mim mesma com um amor tão imenso que seria capaz de embebedar toda a humanidade.

Há tempos que me buscava,
Havia percorrido tantas estradas,
Vagado perdida por tantos corpos estranhos...
E hoje percebo com uma clarividência absurda como estes corpos que tanto me fizeram perder o controle são diferentes de mim. Estranhos a mim...

Eu estava obnubilada,
A verdade é que sempre estive tão perto,
Do lado, ali! Sempre me observando, esperando um aceno que fosse,
E eu cega!
A cegueira não está nos olhos e sim na alma...

Mas agora que me encontrei...
Vou me amar muito,
Passear nas tardes amarelas,
Colher conchinhas no mar,
Fazer amor debaixo dágua,
E engravidar-me de mim mesma...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A menina e o gato


Eu tenho um gato, o nome dele eu não quero revelar, começa com a letra L, tem quatro letras, e é o nome de um outro bicho.
Eu tinha abandonado o meu gato na rua, não costumo fazer isso, mas L. era muito fujão. Só parava em casa quando tinha vontade. Ás vezes porque estava cansado e aí vinha todo cheio de dengo para repousar na nossa cama. Noutros momentos L. parecia que sofria de carência crônica e aí não desgrudava de mim, roçava seu pêlo no meu, me acariciava, banhava-me toda com sua língua, rosnava e dizia que me amava uma, duas, três, quatro... e prometia não mais fugir de casa. Só que bastavam os dias correrem, os amigos aparecerem, as outras gatas... e lá se ia L. novamente para suas aventuras intermináveis...

Eu adotei o meu gato L. numa noite de natal, tava tão bonito, limpinho e abandonado. Tive dó do bichinho e a partir desse dia resolvi que cuidaria dele...

Mas, não consegui cumprir meu intento, numa noite de revolta depois de uma das suas escapadelas pela vizinhança eu não o recebi mais de volta e o larguei de uma vez na rua...

Eu não sei o que fazer com meu gato, quando ele começa a miar desesperado, com sede de leite e fome, não sei bem o que acontece mais meu coração se derrete e lá vou eu novamente dar de comer e beber ao bichano.

Sei que o correto mesmo era que eu não o recebesse mais e o enxotasse de minha porta, mas já saquei que ele de um jeito ou de outro descobriu o meu ponto fraco e sempre consegue tudo o que quer de mim.

Dizem que isso pode ser amor, acho que sim, acho! Meu gato L. não me cobra nada, eu também já não o espero mais e assim seguimos vivendo, sem posse, se amarras, sem gritos e revoltas... Somente gemidos e lambidas de amor.

Ah, meu gato L. Por que as pessoas não nos entendem? Por quê?

Fotografia: A menina e o gato de Manuel de Oliveira. 1941

domingo, 7 de dezembro de 2008

É só uma questão de jeito

Escrevo porque sempre tenho necessidade de ver as coisas de um jeito diferente do que são: as coisas...
Quando era pequena eu tinha muitos amigos que só apareciam para mim. Um deles era um menino lourinho que lembrava muito o Pequeno de Saint-Exupéry. Tinha uma senhora de cabelos brancos, um saci pererê, um príncipe encantado, uma cadela com pelos negros, um papagaio que falava todas as línguas, um pé de vento que sempre rodopiava e me contava estórias das suas andanças, um homem com voz doce que parecia o papai noel...

Certa vez andando pelas matos do interior do meu avó, eu presenciei o casamento mais lindo que alguém podia sonhar: era de uma sabiá e um joão-de-barro. Foi uma beleza de festança, todos as familiares presentes, os amigos, coisa mais linda a cantoria deles... eles dançavam e cantavam tremulando as assas... toda a mata ficou com lágrimas nos olhos de tanta felicidade. Quando fomos visitar a casinha deles era uma belezura só, dava pra perceber que eles ficariam juntos a vida toda e que seriam muito felizes dentro daquela casinha tão repleta de cuidado e amor.

Teve um dia que eu estava muito muxoxa, parecia que a vida não tinha mais sentido para mim, acho que eu tava com doença da alma. Acho! Aí eu sentei numa pedra e fiquei derramando gotas de orvalho dos meus olhos e pensando que seria melhor que eu partisse de uma vez pra outro mundo e abandonasse tudo: o sol, as flores, a florzinha, os amigos... de repente, surgiu uma borboleta amarela grandona, mas muito grandona mesmo. Ela danou-se a conversar comigo e disse que ia me emprestar um par de assas que ela tinha de reserva só para eu conhecer o mundo lá de cima do céu e puder ver como viver era belo. Voamos muito tempo para o alto, acima das nuvens e bem perto das estrelas. Lá de cima eu conheci outras borboletas que também me esperavam no céu, ficamos sem dizer uma palavra durante muito tempo, eu olhava aquele mundo tão grandão lá de cima e pensava: como a gente podia viver num mundo tão imenso sendo tão pequeninho? Eu fiquei mais alegre de estar viva, me achei privilegiada e quis voltar pra terra e continuar minha caminhada por esse planeta de gente miúda. A borboleta, minha amiga, seguiu seu caminho, disse que um dia nos encontraríamos novamente para visitarmos outros lugares ainda mais distantes. Eu espero sempre por ela.

Tem um mês que eu vi cair uma chuva de sorvete, caiu como se fosse chuva, tinha de todas as cores, tudo quanto era sabor... hum, uma delícia!

Quando eu durmo na verdade eu acordo.

Malú, Nina, Sabiá Cardíaca, Rex, Smit, Coelhinho cinza, Peixe amarelo, Anne, Ratinho Encantado... resolveram apenas mudar de mundo e partiram para ficar com os seus. Agora eu não choro mais por eles porque eles me visitam em sonhos e até brincam comigo!

Florzinha beija a minha face todos os dias.

Eu consigo montar aquele quebra-cabeça da moranguinho de 2.000 mil peças num piscar de olhos.

Ontem fui até o interior do meu avó visitar os meus.

Não existem mais crianças maltratadas, e elas não apanham mais, e correm felizes brincando de esconde-esconde, picula, chicotinho queimado, gincana...

O alimento não é mais vendido, a gente vai até o pomar e colhe frutas, legumes... tão gostosos.

Dentro das casas existe muito amor... tudo é sereno e aconchegante.

Tem muita coisa no meu mundo das coisas que é bem diferente do que vemos no dia-a-dia, depois eu conto mais! Agora eu vou ter que dar atenção a um amigo beija-flor que venho fazer-me uma visita e contar as novidades de como anda seu mundo e as coisas de lá...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Para minhas Protetoras



Dia de Santa Bárbara,
Minha mãe nasceu em Santa Bárbara,
Ela me contou que a santa é minha protetora.
Também...
Eu tenho uma santinha que mãe comprou e benzeu em Santa Bárbara,
Mas a cabeça dela quebrou. Falaram-me que tinha de levá-la até uma igreja e abandoná-la em um canto qualquer...
“Ter santa quebrada dentro de casa traz má sorte...”
Já falei que não acredito e que não abandono minha santinha. Os olhos dela lembram os de minha mãe, tão parecidos, tão azuizinhos como o mar.
Pintei minhas unhas de vermelho em homenagem ao dia quatro de dezembro.
Se eu voltasse no tempo teríamos passado o dia de ontem cortando quiabo na casa de Dona Dinalva, todas nós, as crianças e os adultos. Era uma festa! Quer dizer duas, o dia anterior cortando quiabo e o dia de hoje comendo caruru...
Ainda existe o caruru de Dona Dinalva, é de promessa. Enquanto ela estiver viva...
Viva... acho melhor mudar o assunto...
Porque dia de Santa Bárbara também é dia de lembrar muito de minha florzinha,
Hoje acordei com muita saudade, mais que ontem e talvez menos que amanhã...
Antes de concluir este texto quero fazer um pedido a minha Protetora:

... ... ... ... ... ... ... ... obrigada.

Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura, Ficai sempre ao meu lado para que eu possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graça a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem o poder de dominar a furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras.
Santa Bárbara, rogai por nós!

Amém!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Salva-vidas?

Chego até a popa deste veleiro,
Um vento refrescante atiça os meus pêlos,
Adoro esse vento dos dias chuvosos.
Observando o mundo da popa do veleiro imaginário,
Percebo que a cada instante que segue, me torno mais inteira, e ao mesmo tempo mais contraditória.
Antes, quando ainda tinha meus braços entrelaçados com as necessidades mundanas,
Sofria de coisas, agora imperceptíveis.
Não me cabe mais correr desesperada,
Afogar-me na tentativa de alcançar a terra...
Vou navegando...
Curtindo o tempo das coisas,
Remando conforme a maré.
Às vezes chego a pensar que isso pode ser coisa da velhice,
Mas ainda sou uma pequena.
Eu queria não ter este salva-vidas amarrado em mim,
Eu queria não temer teus braços,
E esperá-lo com os meus abertos.
O que se pode construir dentro de quartos?
O amor pode nascer do cansaço das noites de sexo?
O que realmente possuem os amantes além de desejos, álcool, cigarros...?
Por que só me resta no final das contas o príncipe encantado, o mesmo que me cercava quando era pequena?
Por que não assumir tudo, jogar fora o salva-vidas e encarar você como o rei torto do meu palácio de dúvidas?

Ah, meu bem... perdão por me permitir sobreviver neste labirinto de incertezas,
Por não possuir mais a coragem de outrora,
Por ter me transformado nesta mulher que tem medo de cair
E que sempre se levanta após cada queda...
Eu só queria mesmo era ter a coragem de lhe pedir,
Que numa dessas noites de paixão
Você, anjo torto e insano (e és tão belo assim...)
Com muito cuidado e jeitinho,
Desatasse esse colete que está amarrado em minhas costas,
Depois me abraçasse
Beijasse minha face,
E me colocasse para dormir segurando meus dedos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Eu e Vincent Van Gogh





- Você sempre quer muito...

Reflito...
Busco palavras para começar este texto e não as encontro. Como é que com tantas palavras eu não encontro nenhuma?

Estranho... estranho. Amo a dubiedade das palavras. Talvez seja isso! Quando somos estranhos na vida de uma pessoa tudo que ela diz, faz, sente deve ser muito... (olha a dubiedade novamente) estranho.

Rememoro...
Sou uma pequena... seis, sete anos de idade. estou encostada na janela da casa de tia Mariá. Sou uma pequena que se sente menor ainda. Durante anos convivi com essa sensação, e busquei artimanhas para não permitir que esse monstro se apoderasse de mim. Sinto-me sozinha, não tenho amigos, não tenho mais minha prima meia irmã... só existem adultos, livros e o tempo como companheiro. Ainda faltam dois meses para as férias acabarem... Se eu ainda tivesse aquela chupeta escondida, se tia Mariá não tivesse jogado as outras fora, se ao menos eu tivesse o colo de minha mãe... Quando eu crescer eu nunca mais vou ficar sem chupeta, vou comprar um pacote bem grande igual aquele que meu pai me deu quando brigou comigo e queria me reconquistar! Quando eu crescer vou ter um monte de amigos, livros, brinquedos novos... vou ter um monte de tudo que quiser ter... quando eu crescer... quando eu crescer vou querer sempre muito!

Eu sei...
Que o muito que hoje eu busco está além das palavras. Que na verdade já foi dito que muito é muito pouco. Que o que ainda tenho muita vontade de fazer é depositar muitos barquinhos de papel naquele rio insano que só existia em dias de chuva na porta da casa de Mãe... parecia sonho, os barquinhos correndo desenfreados, transformando o asfalto em um mar de barcos...
Que quero escrever muitos textos como fazia no passado, ainda que bobos, ainda que tristes, ainda que sofrendo de mal de amor!
Quero ter muito tempo para admirar o pôr-do-sol!
Muitas horas e muita paciência para brincar com meus sobrinhos, especialmente brincar de bombeiro com Guilherme.
Quero muito tempo para amar... fazer amor, e porque não? Beijar muito.
Quero muito não esquecer nunca o cheiro de minha florzinha, os olhos azuis dela, a pele, a luz, o coração! Quero realmente muito isso.
Quero ter bom senso, educação, um jardim com muitos girassóis, gerânios, margaridas, violetas e a sobrevivente sempre muito perto de mim, mudando de casa a cada novo ano, sempre bela ainda que eu esqueça de molhá-la. Mas sempre ali, firme e forte!

Quero muitas coisas sempre, você está certo!
Mas quero mais ainda ter a certeza que não quero abrir mão nunca das, dos muitos, muitas... que acredito ser imprescindível para ser feliz neste mundo de muitas coisas inúteis...

(Telas de Van Gogh: Jardim Florido, La Siesta, Café Nocturno da Praça Lamartine de Arlés,

quarta-feira, 19 de novembro de 2008


Disseram-me que tenho estrelas tatuadas no corpo,
Um passarinho no tornozelo,
Hálito com aroma de pétalas de rosas.
Uma vez também me falaram que meu sexo rosa
Contrastando com meus seios rosa, parece mesmo um mar de rosas...
Também me fizeram crer por um tempo, que sou medusa,
Que meus olhos são como jardins ensolarados, mares cristalinos,
Céu em dia nublado, reflexo de alma juvenil, espelhos de uma alma perdida...
Já fui chamada de sereia, uma das que tentou levar Ulisses para o inferno...
Falaram que sou uma flor(zinha),
Também uma niña,
Mulher,
Já me chamaram de casa,
Mentirosa,
Feminina,
Cínica,
Desgraçada...
De arte do capeta,
De obra de Deus,
Filha de Yemanjá e de Iansã.
Ah, Oxum também.
Já disseram que eu sou boa,
E que sou má.
Que ando nas nuvens e que tenho pés ficados ao chão.
Já disseram isto e aquilo de mim...
Já contaram todas as minhas contas.

E eu só me pergunto no final das contas
Quem conta um conto aumenta um ponto?
Vixe Maria mãe de Deus...
Quem é essa mulher então que para piorar tudo ainda inventou de dar vida a uma centena de outras mulheres?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


Eu não sabia que eu sabia que meu coração é amarelo e não vermelho. Que o tempo pode fechar mesmo estando um dia ensolarado. Que o tempo pode melhorar mesmo estando um dia cinzento. Que meus olhos na verdade são grandes e vivos mas não passam de um mangá. Que minhas pernas mesmo curtas me levam a lugares inimagináveis... que possuo assas enormes em minhas costas pequenas. Que sou uma boneca de pano e que meus cabelos encaracolados são costurados e de nylon.

Eu não sabia que eu sabia que meus amores partem ainda permanecendo por toda a vida junto comigo, alguns. Que minha florzinha se foi, mas ficou grudada em mim com uma cola mais forte que super bonder, muito melhor! Cola invisível das boas, elaborada por um anjo e registrada por Deus. Eu sempre soube que meus irmão são maravilhosos ainda que possuam defeitos. Meus sobrinhos são meus filhos também. E que vou sentir todos os dias saudades de minha florzinha, ainda que tenha ela colada em mim...

Eu não sabia que eu sabia que nasci para correr o mundo. Interpretar todos os personagens. Escrever milhões de estórias e textos bobos. Morrer de amor todos os dias e renascer todos os dias por causa do amor... Eu sempre soube que sou filha de uma borboleta e que quero voar por toda Ipanema num entardecer bonito.

Eu sempre soube que eu sabia que o rio que lava minha face é o mesmo rio de uma tarde de janeiro. Eu sei que o Cristo que lá está de braços abertos me acompanha com seu olhar protetor, que a lagoa me enfeitiça e que se não ficar esperta terei meu coraçãozinho de borboleta adocicado por um par de olhos azuis com perfume de bossa nova.

Eu não sabia que sempre soube que sabia...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

C + C


Para lembrarmos sempre do nosso primeiro beijo roubado...

Escorrem lágrimas dos meus olhos...
Por mais que tente contê-las essas teimam em escorrer e lavar minha alma...
Queria que estivesse aqui me acolhendo com suas mãos, com seus olhos serenos, e seu jeito meigo...
Quantas saudades eu sinto...
Quantas saudades, Mãe...
No fundo eu sei que olhas por mim... que todos os dias e noites vem me visitar e coloca suas mãos sobre minha cabeça, me abraça, beija minha face e vai embora ficar com os seus amigos do céu...
E eu choro...
Depois que você se foi eu descobri vários tipos de choro:
Choro desesperado,
Choro suave,
Choro repentino,
Choro de uma lágrima,
Choro contido,
Choro rebelde,
Choro revolta,
Choro bandido,
Choro de saudades...
Tipos infinitos... infinito como o céu dos seus olhos...
Mãe, não tenho muita coisa para dizer agora.
Por isso mesmo choro e sei que você me compreende...
Saudade é foda!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
Cuida de mim...
Beija minha face,
Abraça-me...
E contém essas lágrimas que não se sustentam mais dentro do meu peito.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Cegueira


Eu não quero mais ver...
“Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus...”
Quem tem desejo de enxergar mais algo nessa terra de cegos?
Onde pessoas matam por dinheiro...
Digladiam-se como leões...
Fingem, mentem, praguejam, maltratam, batem...
Atiram pedras por ciúmes...
E continuam cada vez mais fingindo ser o que não são!
A humanidade perdeu a humanidade,
Cada vez mais quero juntar-me aos necessitados,
Aos bichos,
As plantas...
O Pequeno Príncipe estava certo! Em dias de muita tristeza o melhor é admirar o pôr-do-sol...
E derramar algumas lágrimas também.
De minha janela eu não consigo enxergar o pôr-do-sol...
Mas o amarelo que entra pela janela me traz a paz necessária para ser feliz com muito pouco,
Às vezes alguns passarinhos posam em minha janela...
As borboletas são minhas amigas de todas as horas...
E as crianças da creche que fica em frente a minha janela mandam beijos para o lado de cá e sorriem e choram e brincam...
Por fim faço minhas as palavras escritas por Florbela Espanca:

“Eu não sou boa nem quero sê-lo, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar um.”

sábado, 18 de outubro de 2008

Enquanto seu lobo não vem...


Hoje pensei muitas coisas... relembrei outras e decididamente procurei em vão encontrar-me comigo mesma! Senti uma vontade imensa de retornar ao passado, criança, adolescente, quase mulher... mas aos poucos fui perdendo a coragem, tive uma infância um tanto quanto depressiva, para não enlouquecer assim que aprendi a ler afoguei-me nos livros e através de Vinícius, Florbela, Drummond, Cecília... fui salva daquela assustadora melancolia que acompanha a vida das crianças...

Como adolescente, nem pensar!!! Achava a adolescência um saco... os papos dos colegas, a descoberta do corpo (que talvez em mim tenha sido precoce). As espinhas (dos outros, em mim elas não deram o ar da graça). A morte sempre rondando os amigos, meus animais, familiares e vizinhos... mas aí o teatro se fez meu amante, seduziu-me, enfeitiçou-me, possui-me totalmente. Eu respirava teatro, bebia teatro, comia, fazia sexo, gozava, gozava muito teatro... só que ainda era verde e seria necessário que o tempo passasse para que eu descobrisse os métodos, as artimanhas, a farsa, o sorriso e a tristeza... era preciso que eu me tornasse mulher para que em mim existisse os sentimentos necessários que uma atriz deve conter em seu peito para interpretar com honestidade...

“Quase mulher”: casada... atriz... separada.... reaprendendo a ser só... a só ser... apaixonada de novo... saudade... separação... transtornada... cantora... de novo apaixonada!

Recordo-me que um dia escutei de um rapaz que eu não poderia verdadeiramente nunca ser feliz no amor... Também me perguntei se aquilo era verdade. Para ele eu tinha uma espécie de liberdade e tristeza congênita que atinge a determinado tipo de mulheres... disse que sofria também em me dizer aquilo mas que eu inconscientemente vivia numa redoma de vidro frágil como um cristal que não podia ser quebrado pois era herança dos meus antepassados... herdara de minha mãe, que herdara de minha avó a tal melancolia familiar! E que toda vez que um homem tentava quebrar a redoma eu me transformava em erva daninha...

Eu acreditei por um tempo nessa estória, mas confesso que hoje quando vago na noite, tomando cerveja e algumas vezes até dando uns traguinhos de cigarro, percebo que minha redoma não é de maldade e sim de defesa... eu não sou e nunca fui tão mal quanto tentam me fazer acreditar... não tenho culpa se as vezes dou mais e recebo menos e quando recebo menos me anulo... não tenho culpa se por vezes machuco por falar a verdade e acredito que talvez quem sabe um dia um príncipe consiga retirar a retoma fina de vidro...

Não tenho tanta culpa de coisa alguma, na verdade não quero voltar a lugar algum... apenas viver com ou sem redoma de vidro enquanto não recebo o beijo do meu pequeno principe.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Céu dos seus olhos...


Estou repleta de silêncio... consumida de um vazio de palavras, esquecida dos verbos e já me esqueci como é mesmo que funciona o mecanismo dos diálogos... eu queria poder ir a marte, não! marte esta cult demais nesse momento, acho que a única salvação seria o B612...

No B612 existe uma flor... talvez ela me consolasse porque o seu Pequeno também partiu sem dizer-lhe se voltava ou não, não sou tão boa companhia como já fui outrora, mas sei que me entenderia com a rosa...

Há momentos em que estou tão vazia que me desespero... como posso estar tão oca? Eu queria ter um relógio que girasse ao contrário e ao invés de o tempo ir para frente ele iria voltando, segundo por segundo para trás... eu daria tudo o que possuo por esse relógio... embora não possua muitas coisas, mas daria meu velho teclado, minhas borboletas secas (eu não as mato, apenas as recolho depois que elas morrem), daria meus livros e meus cds e qualquer coisa mais que o dono do tal relógio se desse por satisfeito... se o tempo voltasse atrás eu acho que seria lindo, dia chuvoso, eu colocando barquinhos de papel nas poças... e minha mãezinha cozinhando, ou passando roupa... vez em quando eu iria até ela e me encostaria em suas pernas, seguraria a barra do seu vestido, daria um abraço e voltaria pros barquinhos repleta do cheiro bom dela...

Não existe relógio que faça tempo voltar... tenho rebubinado a fita da minha vida através do cérebro mesmo. Eu era muito pequena quando senti pela primeira vez o medo de perdê-la... tinha acontecido um acidente na rua onde morávamos e entrei em desespero pensando que o ônibus que bateu tinha lhe atingido:
- Calma minha filha, sua mãe está aqui... calma meu bem... não chore... não chore...
Eu não consigo parar de chorar... toda vez que olho para o céu lembro dos seus olhos azuis... é muito sofrido porque o céu é o espelho dos teus olhos e eu gosto do céu...

Esta noite sonhei que estava na nossa casa e que você passava indiferente a mim... meus sonhos tem sido sempre com você indiferente, mas a indiferença não é proposital é porque no sonho tudo está normal e ainda não sabemos o que aconteceu... nem você nem eu... mas quando acordo eu choro porque volto à realidade e lembro o que aconteceu....

Rezei a Santa Bárbara, pedi a ela para nos proteger sempre, pequei a santa que me destes e olhando para ela reparei mais uma vez que os olhos dela são triste de doer... resolvi outra coisa: lembra que o pescoço dela está quebrado e que me dissestes para coloca-la numa igreja? Pois bem não a levarei a igreja alguma e guardarei-a sempre comigo, onde quer que eu vá... esse lance de trazer azar é mito... a santa quebrou, sim! mais um motivo para ela ficar feliz... mesmo quebrada queremos ela por perto... não quero trocá-la por uma nova... o valor da antiga está justamente no fato de você ter me dado, suas mãos a tocaram, escolheram ela... chorei sobre ela, banhei-lhe com minhas lágrimas e depois abraçada dormi.

Quero que fique bem onde quer que esteja... eu acho que vou ficar bem também, Larissa agora tem um cachorro, engraçado, né? Logo depois se sua partida seu desejo foi concretizado... meu desejo lembra? Era comprar o fusquinha para todos os dias ir visitá-la... passo o fusquinha... passo!

Por que tão cedo? Por que sou chorona agora? Por que estou obinubilada? Por que meus sonhos são estranhos? Por que seu cheiro era tão bom? Por que fico lembrando de você naquela caixa? Por que?... Por que?... Por que voltei a fase dos porquês?

Uma borboleta cinza apareceu morta no chão da sala... chorei!
Sinto a morte muito próxima agora...
E o silencio das coisas também!
Tenho vontade de gritar bem alto...
- Mãe estou com medo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

terça-feira, 15 de julho de 2008


Eu não sou uma borboleta, embora às vezes finja ser e aja como se realmente fosse uma... daquelas bem bonitas, sobrancelhas alteradas, corpo esguio, assas enormes e de cores variadas... e a mais bela de todas... porque se percebe a mais bela apenas por se borboleta e nada mais...

Não sou borboleta... descobri isso na terça-feira passada...

Se realmente fosse uma borboleta veria minhas companheiras partirem e não sofreria ou se sofresse prosseguiria a vida, afinal a minha também já estaria tão perto do fim quanto o da minha amiga que já havia partido.

Não sou borboleta porque reflito sem parar na morte do corpo e antes mesmo de me dar conta meus olhos já estão tão repletos dágua como um rio que corre desenfreado, seguindo seu curso, sua trajetória... porém, também não sou rio e por isso mesmo deveria conter minhas águas como se fosse uma represa, paciente, estagnada e sem rumo...

Eu não tenho palavras, escrevo apenas para dizer que queria ser borboleta e que meu corpo nem precisaria ser muito colorido... bastava que fosse todo amarelo... eu queria ser borboleta amarela, pois assim seria filha do sol e nasceria alegre pela manhã e viveria uma vida efêmera... Alimentaria-me de odores de flores, de pólen, de orvalhos e também de pôr-do-sol... seria eu uma pequenina do espaço, saberia voar, saberia amar melhor (porque seria incondicional) e não sofreria com a morte de minha amiga florzinha... porque saberia que a morte é apenas o recomeço... o começo para um caminho de novas flores e cores... o começo de um amarelo mais intenso!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ressaca



Acordei de ressaca...moral? cachaça? Solidão? Melancolia...
Num sei, num sei mais de nada... “ando tão a flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar!” sei que às vezes ficamos doentes do espírito... sei que gosto de borboletas, que sou atriz, que minha mãe é uma florzinha, que amo tanto meus amigos, que sou apaixonada por cinema, paixão de verdade, incondicional!!!!! Sei tantas coisas e às vezes por alguns lapsos de segundos esqueço-me de tudo e sofro de doença do espírito...
Acho que tudo começou depois que saí do show ontem de Marcelo Nova... show para poucos... e eu ali sentada naquele botequim pensava... ligo pro meu irmão pra ele escutar um pouco? (para os que não sabem,meu irmão mora em Itaituba... resumindo: o cu do mundo. E também sofro de saudades dele e dos meus sobrinhos Gustavo e Guilherme. Mas como ia dizendo depois que saí do show e enchi a cara de cachaça me dei ao luxo de não colocar o cinto de segurança no carro e com a minha cabeça para fora da janela sentir aquele ar fresco do amanhecer batendo no meu rosto, penetrando por entre meus poros, minha boca, meus olhos molhados, meus cabelos encaracolados assanhados, minhas narinas quase congeladas... e tantas outras sensações indescritíveis... não sou a favor de suicídio, sou a favor da vida sempre... mas eu confesso que durante aquele passeio, pensei em morrer e também pensei que morreria feliz... estava eu e meu corpo em perfeita comunhão com o universo. Só faltava chover, meus amigos sabem que eu sou fã mesmo é de dias de chuva!!!

Bem, não morri, não me suicidei e aqui estou tentando descrever que a vida é mesmo um caleidoscópio... cheio de estrelinhas, quadradinhos, cubinhos e cores variadas... a vida é tanta coisa...

Pararei por aqui porque Cazuza resolveu cantar no rádio: “viver é bom nas curvas da estrada, solidão que nada...”

E meu coração de menina apaixonada se derrete por qualquer estímulo... desde que seja doce.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O primeiro...


Não consigo dormir... este tema me persegue, justamente por ser o que mais me acompanha... insônia realmente é um troço muito chato!!! Minha cabeça está borbulhando de idéias. Idéias para um espetáculo com alguns amigos, idéia para um monólogo, para um livro, para um esboço de alguma coisa... idéias, idéias, putz... na verdade desde ontem estou com uma lembrança martelando meu cérebro, surgiu de uma pergunta quase sem pensar de uma amiga:
- Cris, você se recorda do seu primeiro beijo?
- ...
Estranha pergunta que me fez voltar ao passado. Estranha pergunta que me trouxe á lembrança um menino, menino não! Um adolescente de 14 anos, com dentes perfeitos (afinal tinha acabado de tirar o aparelho dos dentes)... eu me lembro na verdade do cheiro da sua boca. Tenho uma obsessão por cheiros, desde sempre... sinto cheiro de coisas inimagináveis: cheiro da pele de todos que já cruzaram meu caminho, cheiro de hálito, de roupa, de cabelo, de mãos, de sexo... isso sem falar nos aromas da natureza. Ah, cheiro de mato, de café, de terra molhada, de chuva (adoro), de maresia, de flor e... de pôr-do-sol, é verdade quem não acreditar que vá ler novamente o Pequeno Príncipe... e não espere que esteja escrito lá que ele sente cheiro de pôr-do-sol! Mas voltarei a pergunta que me trouxe de novamente a um passado quase esquecido... você se recorda do seu primeiro beijo? Fiquei congelada, inerte, estava preparando uma comida, domingo, dia de se alimentar, de preparar algo saudável, de cuidar do corpo, cortar e pintar as unhas, fazer as pernas... desperto do meu congelamento com um prato que cai no chão, não quebrou, às vezes esses pequenos objetos são mais fortes que nós... mesmo sendo de vidro, mesmo que pareçam frágeis...
- com licença, preciso ir até o quarto...
- você está bem?
- Sim, sim...
- Está pálida, está sentindo...
- Um instante...
O nosso cérebro nos prega cada peça estranha... eu estou tonta, meu coração está descompassado, acho que vou desmaiar, preciso de sal pois minha pressão não está bem, necessito mesmo é de um punhado de açúcar por que acho que é hipoglicemia... não, é taquicardia, vou me deitar um pouco, só um pouquinho, o suficiente para esquecer que estou estranha, o suficiente para voltar ao passado...

Estou com os olhos fechado embaixo da escada de uma vizinha, meu coração parece um tambor, tenho medo mas quero está ali, tenho um tanto de vergonha, mas quero estar ali! Tenho receio mas... ele aparece, me olha nos olhos diz para ficar calma. Eu tento sorrir mas não consigo, ele me abraça e sinto mais vergonha ainda porque ele percebeu que meu coração bate forte.
- Não fique com medo... se você der um daquele seu sorriso tudo vai passar, experimenta... sorri, você ri tão lindo. Quer que eu vá embora?
- Não!!! Quero que fique.
- Então é preciso que você sorria...
Ele era um rapazinho que parecia um anjo. Juro!!! Tinha um jeito que era muito lindo, próprio. Era isso que nos seduzia, não tinha ninguém igual lá na rua, os outros meninos não entendiam o que era aquele domínio que ele exercia sobre todas nós... todas sem exceção. Uma por uma já tinha vivido aquele momento... mas agora era o meu, eu tinha esperado ansiosa por ele... contado cada dia. E como tinha demorado de chegar! Por isso mesmo eu não queria que ele se fosse, era o meu, meu primeiro beijo! Por alguns instantes olhei para seus cabelos loiros queimados pelo sol, sua pele brilhante, seus olhos expressivos... gelei. Como ele podia ser tão bonito? Como? Aquilo não podia ter explicação... era uma obra de arte, era um sonho... estava com olhos fechado e senti seus lábios se encostarem aos meus e pensei: que cheiro bom... de orvalho, de pôr-de-sol...
Eu sai caminhando devagar, as luzes todas se acendiam, porque já era fim de tarde, coincidência, que linda coincidência... o sol tinha ido deitar-se, as luzes acendiam e eu estava cheirando a pôr-do-sol, meu coração estava calmo, eu estava calma... Sentia-me uma mulher, eu era agora uma mulher! E estava feliz, muito feliz...

Eu não o vi nunca mais depois daquele dia... tentei consolar-me com um poema de Florbela Espanca, naufraguei em seus poemas desesperadamente, sem entender porque passamos por tantas coisas na vida, porque nascemos e porque morremos... eu virei para mim mesma a “Princesa Desalento” fico tonta pois ainda me recordo de cada verso que recitava baixinho como consolo: “Minh'alma é a Princesa Desalento, Como um Poeta lhe chamou, um dia. É magoada, e pálida, e sombria, Como soluços trágicos do vento! É frágil como o sonho dum momento; Soturna como preces de agonia, Vive do riso duma boca fria: Minh'alma é a Princesa Desalento... Altas horas da noite ela vagueia... E ao luar suavíssimo, que anseia, Põe-se a falar de tanta coisa morta! O luar ouve minh'alma, ajoelhado, E vai traçar, fantástico e gelado, A sombra duma cruz à tua porta...”

Eu não o vi nunca mais depois daquele dia pois meu anjo surfista foi engolido pelas águas do mar uma semana depois, Yemanjá levou-o para junto dela... devia estar enciumada com tantos namoricos e beijos... com tantas pequenas sereias atrás do seu príncipe... mas eu ainda acho que ele foge às vezes quando a rainha do mar está dormindo e faz com que outras sereias fiquem inebriadas e se transformem em mulheres depois de sentirem seu cheiro, seu cheiro doce.

(Imagem: Camille Claudel, "O Abandono", 1905)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Eu


- Sua imagem não diz, mas vi que você é forte... Parece menina, mas já é uma mulher! Porém o mais louco é perceber que você cresce, com cúpula ou não... Regada ou não... È sim, uma florzinha que nasce no penhasco... e não cai! Fica na beira... mas só pra curtir o pôr-do-sol...

desculpa por usar suas palavras... mas precisava me recordar quem sou eu!

terça-feira, 6 de maio de 2008


Eu sinto o cheiro de todas as coisas,
Cheiro de saudade
De abraço
De nuvem
De amor
Do seu sorriso tímido...

Eu vejo tudo
Sua voz triste
Seu perfume
Seu suspiro
Sua respiração...

Tudo desperta meus sentidos...
Aguça meu desejo
Atiça o sabor
Remexe meus pensamentos

E sei
Eu sinto
Eu vejo
Eu quero

Antes mesmo de aparecer
Eu já o pressentia
Eu enlouquecia
Com seu cheiro
Seu sabor
Sua semelhança com Dionísio.

domingo, 4 de maio de 2008

Eu sobre mim mesma

- Aonde você pensa que vai?
- Seguir...
- Qual estrada você prefere?
- A que está a minha frente.
- Por que?
- Porque eu sempre escolho a estrada que está a minha frente.
- Entendo. E o coração?
- Como?
- O coração... como tem passado?
- É... está batendo...
- Não seja engraçadinha, você entendeu a minha pergunta, não seja evasiva, aliás nem combina com você.
- Está bem, sem dores, sem mágoas, às vezes ainda sente saudade...
- De quem?
- De um rapaz.
- Qual deles?
- Esse interrogatório todo, é realmente necessário?
- Claro que sim! Você deveria me agradecer por estar sempre te fazendo ser realista e cada vez conhecer-se melhor. Poderia muito bem deixá-la igual às pessoas que... você sabe, ser mais uma na multidão e sentindo-se incompreendida pelo universo, pelos psiquiatras, pelos estudiosos, pelos amigos... pelo... pelos....
- Não seja arrogante, isso soa com uma prepotência sem tamanho...
- Não seja ingênua somos a mesma pessoa, então é bom ter cuidado com as palavras, principalmente nesse momento...
- Certo... você quer saber de quem meu coração sente saudade?
Daquele moço, o dos olhos de amêndoa, aquele...
- Aquele...
- Aquele de sempre, Caracas quem disse que eu preciso me expor para todo mundo, fazer com que a minha vida seja um livro aberto?
- Você própria! Faz parte do seu perfil, do seu caráter, da forma como você sempre se mostrou para o mundo, agora é tarde... antes que te condenem, vamos, fale a verdade! Você vai se sentir melhor, acredite!
- Certo... sinto saudade do mesmo, o que sempre estive, que sempre foi dono, que me condenam, do rapaz do passado, aquele que tive medo de assumir e que nunca me deixa em paz... o do verão, de Iemanjá, da via crucis. Ele... ele... ele... ele o mesmo menino artista e louco, incompreendido, perdido e dono do meu coração. Falei!
- E agora?
- Agora o quê?
- Sente-se melhor?
- Claro que não! Você complicou tudo... atrapalhou toda a misancene, estragou as únicas fitas que restavam, eu já estava conseguindo me enganar tão bem... estava tão segura. Por isso que às vezes tenho muita raiva de você! Você é muito cruel, principalmente comigo, não tem nenhuma tolerância, me deixa triste e sempre quer me testar. Por que isso? Quem disse que precisamos estar tão seguros de si? Quem disse que necessitamos ser tão forte? Você não é a dona da verdade e eu sei que você esconde também um monte de coisas... só não fico jogando-os na sua cara, te maltratando, eu respeito tudo que você quer esquecer, finjo sempre que esqueci. Por exemplo, eu fico te lembrando todo o tempo dos seus medos? Deveria fazer isso... te lembra-los um por um... fazer você resolver eles, encará-los, não é verdade?
- Não, não precisa...
- Não mesmo? Você não acha que eu deveria te ameaçar... Dizer-te para assumí-los?
- Não! Esquece. Você está certa, eu sou muito cruel com você. Mas não é por mal... é por proteção gosto de você, te acho o melhor de mim, mas queria te ver mais forte, menos coração de manteiga...
- Mas você já é forte demais por nós duas... já imaginou? Se eu fosse como você, seriamos a própria Bette Davis em “A Malvada”...
- Ahahahahahahaha...
- Ahahahahahahaha...
- Por onde você vai...
- Vou a qualquer lugar que você queira ir.
- Então vamos seguir em frente...

terça-feira, 11 de março de 2008


Porque ela faz cinema?
Porque para ela a vida é um filme.
Os amores são filmes,
Os passos são cenas,
Todos os elementos são cenários,
Cada piscada dos olhos são flashs,
Ela faz cinema,
Porque está viva,
E adora assistir making of,
Selecionar cenas e rever bastidores.
Ela é cinema,
Ela é trilha,
Ela é áudio,
Ela e visão.
Faz cinema para acreditar que tudo é um sonho,
Mas belo que a vida real!
- Ação!

domingo, 9 de março de 2008


A bíblia diz que o bom filho a casa retorna

Quando me vejo novamente sentada aqui,

Construindo frases,

Poemas

Colocando as palavras umas conectadas com as outras

Como se fossem tijolos sobre tijolos,

Com a intenção de refazer nossa casa,

(nossa casa para mim, são os poemas que te escrevo)

Retorno para ti,

Porque na verdade nunca nos separamos de fato,

Como falei no texto anterior (você sabe qual)

Foram necessários todos os maus entendidos para que nunca nos perdêssemos,

Foram necessários:

Além do encontro dos olhos,

A caminhada na praia, com aquela lua enorme iluminando nossos rostos

A areia açoitando nossos corpos...

Pausa!

Como foi mesmo que aquela cena aconteceu?

Ela realmente aconteceu ou por frações de segundos nos encontramos

Dentro de um filme de Glauber Rocha?

- Como gostaria de ter uma câmera aqui agora, filmar seus pés, nos dois... (você)

- Contentaria-me com uma simples máquina fotográfica! (eu)

Ação!

Nossos encontros às escondidas,

Os receios todos,

Seus poemas

Meus

Retorno a nossa casa,

Estive por algum tempo inebriada,

Navegando entre corpos estranhos...

Sem comentários!

É tão fácil nos perdemos de nós mesmos,

É tão difícil nos acharmos,

Sem julgamentos.

A bíblia diz que o bom filho a casa retorna,

Não sei bem porque lembrei-me disso agora.

Mas retorno para seus braços.

Porque eles estão dentro do poema,

Logo...

Retorno para minha casa.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A droga e a abstinência


Por que eu escrevo?
Porque tudo o que existe em mim quer ganhar vida...
E as palavras mais humildes,
Não sonham em subir aos palcos e receber aplausos.
Contentam-se (e são felizes!) em virar escritos
Serem lidas por olhos atentos
Hoje...
Em especial ele (o escrito) quer ser lido
Por um par de olhos azuis...

Não sei porque isso acontece mas acontece e independe de mim.
Lembro-me ainda de ti,
Ontem sonhei... revivi coisas...
E um aperto no meu peito também existe independente de mim...
Nosso silencio velado,
Acordado.

Meu amor, Afrodite continua mexendo os pauzinhos...
Pior... muito pior...
Ela os enfia em meu coraçãozinho sonhador como se fossem canivetes...
E malvadamente os empurram devagar, mexe, gira lentamente... enfia-os mais um pouco e quando eu penso que ela está satisfeita...
Nada! Recomeça todo o processo devagar, sangrando ainda mais...
É uma dor muito aguda, latente...
A dor do não vivido
Do sonho perdido!
Estúpida droga chamada AMOR...
E esse mar parado.
Essa canção no mp4...
Esse aroma no quarto
O cheiro em minhas mãos (também ficaram, porque são realmente parecidos)
Estou a vagar...
Noites, outras bocas, loucuras, lacunas...
Manhãs, presságios, saudade, saudade, saudade...
Se não vistes para ficar
Por que chegastes?
Eu não tenho medo do escuro, nem de silêncio, nem de ventania, quase nãotenho medos!
Só não me resta tanto tempo... talvez!
Eu tenho lágrimas que se transformam em textos...
Eu tenho um buraco aqui dentro: onde toca essa canção repetitiva...
Eu tenho um milhão de possibilidades.
E um amor perdido!

Obra: Auguste Rodin, The Metamorphos